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domingo, 5 de junho de 2016

Polícia ‘caça’ chefão do tráfico que ‘pulou’ de facção para retomar favela

Foragido da Justiça, JR teria feito um acordo com bandidos do CV após perder pontos de vendas de drogas para criminosos rivais
Foto: Divulgação



 A guerra entre criminosos rivais pelo controle da venda de drogas do Jardim Miriambi, em São Gonçalo, tomou um novo rumo após uma das principais lideranças do tráfico da comunidade mudar de facção.

De acordo com a polícia, há cerca de um mês, criminosos ligados ao Terceiro Comando Puro (TCP) ocuparam os pontos de venda de drogas do Jardim Miriambi, antes gerenciado por bandidos do Amigos dos Amigos (ADA). Temendo ser morto pelos rivais, Wallace José Fernandes de Mello, o JR, de 22 anos, migrou para o Comando Vermelho (CV).
As investigações dão conta que JR estaria buscando abrigo tanto no Anaia quanto no Salgueiro. Por conhecer bem a região do Miriambi, ele passou a liderar os ataques contra os inimigos, na tentativa de retomar a liderança do tráfico local.
Segundo investigações de agentes da Divisão de Homicídios de Niterói, Itaboraí e São Gonçalo (DHNISG), JR, que é considerado foragido pela Justiça, é suspeito de assassinar, com tiros de fuzil, Andressa Nascimento Maia, de 20 anos, na Rua Uruassan, no último dia 26. O crime teria acontecido durante uma dessas tentativas de invasão.
Assustados com o clima de tensão no bairro, moradores relatam sobre intensos tiroteios durante a madrugada.
O comandante do 7ºBPM (São Gonçalo), coronel Samir Vaz, informou que a polícia militar está monitorando todas as ações dos bandidos na região.
“Estamos fazendo operações constantemente no local. Possivelmente, os disparos ouvidos sejam de confrontos com a polícia”, explicou o oficial.



sábado, 4 de junho de 2016

Corretor é assassinado com tiro no peito em Santa Rosa

Leonardo caminhava pela Rua Martins Torres quando ocupantes de uma moto efetuaram disparo

Foto: Divulgação
PorThuany Dossares




Faltando apenas três dias para completar 39 anos, o corretor Leonardo de Freitas Leite foi assassinado a tiros, na noite de quarta-feira, próximo de sua casa, em Santa Rosa, na Zona Sul de Niterói.
Segundo a polícia, a vítima havia acabado de sair da casa da mãe e caminhava pela Rua Martins Torres, em direção à sua residência, por volta das 21h20, quando foi surpreendido por ocupantes de uma motocicleta. Os criminosos efetuaram um único disparo no peito da vítima, que não resistiu ao ferimento e morreu no local.
Agentes da Divisão de Homicídios de Niterói, Itaboraí e São Gonçalo (DHNISG) foram até o local do crime para realizar perícia técnica. De acordo com as investigações, Leonardo pode ter sido vítima de uma execução.
“A princípio estamos trabalhando com a hipótese de execução mesmo, já que a vítima estava passando pela rua e os autores entraram de moto na contramão e atiraram contra ele sem levar nada, sem anunciar assalto. No entanto, não descartamos nenhuma hipótese ainda. Iremos analisar câmeras de segurança da região e, durante a semana, vamos avançar nas investigações”, explicou o delegado Fábio Barucke, diretor da especializada.
Muito abalados, familiares do corretor preferiram não comentar o caso. Através das redes sociais, eles lamentaram a perda. “Estou dopada e em pânico. Meus amigos, meu filho acaba de morrer, me ajudem com oração”, publicou, desesperada, a mãe de Leonardo. Um primo da vítima também desabafou sobre o crime. “Muito triste. Um homem bom, justo, honesto e o mataram. Muito triste, desolado, não aguento mais esse descaso, essa insegurança e essa violência que assola nossa cidade de Niterói. A família está destruída”, lamentou. O corpo de Leonardo, que era noivo e já estava com o casamento agendado, foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML) do Barreto.


quarta-feira, 1 de junho de 2016

Suspeitos de participar de estupro coletivo serão transferidos para presídio

O jogador do Boavista Lucas Perdomo Duarte Santos, de 20 anos, e Raí de Souza, de 22, serão transferidos para o presídio Bangu 10, no Complexo de Gericinó, Zona Oeste do Rio, nesta terça-feira. Os dois rapazes, presos por suspeita de participação no estupro coletivo de uma jovem de 16 anos, passaram a noite na Cidade da Polícia, no Jacarezinho, Zona Norte da cidade. Raí recebeu voz de prisão após se apresentar na Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (Dcav), nesta segunda. Já Lucas foi capturado horas depois, quando dava uma entrevista num restaurante no Centro da cidade.



Segundo Alexandre Santana, advogado de Raí, a transferência para um presídio é inevitável.

- Esse é o procedimento padrão. Não há o que se fazer. Agora, é hora de a defesa começar a se movimentar.
De acordo com o advogado, a jovem não estava drogada, apenas cansada depois do baile, e estava consciente. Raí será ouvido novamente pela delegada responsável pelo caso na tarde desta terça-feira.

O advogado voltou a negar a participação de seu cliente no estupro. De acordo com ele, Raí “apenas” divulgou imagens da adolescente na internet.

- Ele é um meninão. Apesar do tamanho, tem mentalidade de criança. Não pensou no que fez. Mas não cometeu crime. Não participou de estupro algum - contou Alexandre.
De acordo com ele, Raí relatou que as imagens foram gravadas por um outro rapaz, conhecido como Jefinho:

- O que aconteceu foi o seguinte, segundo Raí: ele foi ao baile funk (no Morro do Barão, na Praça Seca, Zona Oeste do Rio) com a namorada. Umas sete horas, ele a mandou embora. Ficou mais um tempo. Aí apareceu o Lucas, com essa menina (a que denunciou o estupro) e outra. A garota (que denunciou) queria ficar com o Lucas, mas ele não queria e chamou o Raí para ficar com ela. Os quatro foram para aquele lugar que chamam de abatedouro.

Alexandre disse que seu cliente garante que o sexo entre os dois foi consensual. Por volta das dez horas, Raí deixou o imóvel com Lucas e a menina que ficara com o jogador. A jovem de 16 anos, de acordo com essa versão, ficou no local.

- Quando o Raí voltou à casa, já tocava um funk, aquele que diz que uma garota ficou com 33 caras, e o Jefinho já estava lá. Foi esse Jefinho que filmou. O Raí só pegou (as imagens) e jogou na internet. Só isso. Estupro é um crime bárbaro e ele não fez isso - contou o advogado.

Alexandre contou que a prisão de Raí deixou a família em estado de choque:

- A mãe dele está arrasada. Ontem (segunda-feira) ficou na Cidade da Polícia com o filho até oito e meia da noite. Ela não podia imaginar essa repercussão.
O advogado disse ainda que Raí teme pela segurança de seus parentes.

- Ele teme alguma represália. Volto a dizer: é um menino do bem. Partiu dele a decisão de se apresentar para esclarecer logo tudo. Não merece ter seu nome envolvido num caso de estupro coletivo, que é uma barbaridade - disse.

Polícia faz buscas a foragidos

Equipes da Dcav realizam, desde o início da manhã desta terça-feira, novas buscas aos suspeitos de envolvimento no estupro coletivo. Quatro pessoas são consideradas foragidas: Marcelo Miranda Correa e Michel Brasil da Silva são suspeitos de divulgar o vídeo do abuso; Raphael Assis Duarte Belo aparece numa foto com a vítima desmaiada; e Sérgio Luiz da Silva Júnior, o Da Russa, apontado como chefe do tráfico no Morro do Barão.

- Não vou mais dar entrevistas para não atrapalhar as investigações. Precisamos ter muita calma. Todas as nossas equipes estão nas ruas - disse a delegada Cristiana Bento, titular da Dcav.
A partir do alto, à esquerda, em sentido horário: Sérgio, Marcelo, Raphael e Michel Foto: 
Reprodução

A policial confirmou nesta segunda que a Polícia Civil identificou o sétimo suspeito de participar do estupro coletivo. Segundo informações, ele foi descrito pela vítima por uma tatuagem no braço, porém ainda não teve a identidade revelada.

Delegada diz acreditar em estupro

Ainda nesta segunda, durante entrevista coletiva na Cidade da Polícia, a delegada Cristiana Bento disse não ter dúvidas de que a garota de 16 anos foi vítima de um estupro. A menina denunciou o crime e disse ter sido violentada por 33 homens.

- A minha convicção é de que houve estupro, tanto que o rapaz aparece no vídeo manipulando a menina. A gente agora quer identificar quantas pessoas participaram - disse Cristiana Bento.

O chefe de Polícia Civil, delegado Fernando Veloso, afirmou, na mesma coletiva, que "existem indícios fortes".

- Mas a polícia ainda não tem provas cabais para condenar essas pessoas - disse ele.


segunda-feira, 30 de maio de 2016

Morto durante troca de tiros entre PMs e traficantes no Lindo Parque

Segundo policiais, Marcos estava com uma pistola
Foto: Divulgação


Um suspeito de envolvimento com o tráfico foi morto, na tarde de sábado, durante confronto entre policiais do 7ºBPM (São Gonçalo) e criminosos da Favela Miguel Pinto, no Lindo Parque, em São Gonçalo. Agentes do Grupamento de Ações Táticas (Gat) informaram que foram até a comunidade para realizar uma operação para coibir a venda de drogas, quando foram recebidos a tiros pelos bandidos.
Após o intenso confronto, os PMs encontraram Marcos Roberto da Conceição Rodrigues, de 25 anos, baleado no peito, na Travessa Miguel Pinto. Ainda de acordo com os policiais, ele estava com uma pistola calibre nove milímetros, 16 cápsulas de cocaína, rádio comunicador e celular.
Marcos Roberto chegou a ser socorrido pelos policiais e encaminhado para o Pronto Socorro São Gonçalo (PSSG), no Zé Garoto mas não resistiu aos ferimentos.
O caso foi registrado na central de flagrantes 73ª DP (Neves). Na delegacia foi constatado que o suspeito já possuía quatro anotações criminais por tráfico de drogas e uma por associação ao tráfico.


domingo, 29 de maio de 2016

Três presos durante ações contra o tráfico em comunidades de SG

Três presos durante ações contra o tráfico em comunidades de SG
Foto: Julio Diniz


Três homens foram flagrados com drogas durante ações de policiais do 7ºBPM (São Gonçalo) em diferentes bairros de São Gonçalo, entre a manhã e a noite de quinta-feira. PMs da Ocupação Coruja foram até a Favela do Lodial, no Boaçu, para verificar uma denúncia sobre a localização de traficantes, quando dois ocupantes de uma moto fugiram ao perceber a aproximação da viatura. Durante a fuga, a dupla perdeu o controle de veículo e Jhonata Novais Bento, de 21 anos, foi capturado com 279 pinos de cocaína, na Rua Ricardo Severo.
Já no Morro do Castro, militares do Patrulhamento Tático Móvel (Patamo) e da Ocupação Coruja surpreenderam Hemerson da Costa da Cruz, o Mais Alto, 23, e William de Azevedo Santana, o WL, 20, numa área de mata, após troca de tiros. Com a dupla, os agentes apreenderam 140 pinos de cocaína e um rádio comunicador.
Ambos os casos foram registrados na Central de Flagrantes da 73ªDP (Neves) como tráfico de drogas.

sábado, 28 de maio de 2016

Delegado diz ainda não saber se houve estupro e causa polêmica: O que diz a lei


Advogada da vítima pediu a saída do delegado Alessandro Thiers do caso
O caso da menina de 16 anos estuprada por mais de 30 homens no Rio ganhou um novo desdobramento após o delegado Alessandro Thiers afirmar ainda não estar convencido se realmente houve estupro.
"A gente está investigando se houve consentimento dela, se ela estava dopada e se realmente os fatos aconteceram. A política não pode ser leviana de comprar a ideia de estupro coletivo quando na verdade a gente não sabe ainda", disse, em entrevista coletiva após os depoimentos da vítima e de suspeitos.

A advogada da vítima, Eloísa Samy, acusou Thiers, que é titular da Delegacia de Repressão de Crimes de Informática do Rio, de machismo e pediu seu afastamento do caso.
"Ele não tem condições de conduzir esse caso. Durante o depoimento da vítima, fez perguntas que claramente tentavam culpá-la pelo estupro. Ele chegou a perguntar: 'Você tem por hábito participar de sexo em grupo'. Não acreditei e encerrei o depoimento", disse Samy à BBC Brasil.
"Ele mostra uma atitude machista por claramente desqualificar a vítima e a violência que ela sofreu, a responsabilizando pela violência do estupro. Assim, ela faz com que ela sofra duas vezes, com a violência do estupro e a violência inconstituicional pelo descrédito que lhe é dirigido", acrescentou a advogada.
"Assim fica fácil perceber o que faz com que tantas vítimas de estupro deixem de denunciar seus agressores no Brasil."
A BBC Brasil procurou a Polícia Civil para comentar as acusações - o crime está sendo investigado em conjunto pela Delegacia da Criança e Adolescente Vítima e pela Delegacia de Repressão de Crimes de Informática. Até a publicação deste texto, ainda não havia obtido resposta.
Em nota publicada pelo jornal Folha de S.Paulo, a polícia afirmou que a investigação "é conduzida de forma técnica e imparcial, na busca da verdade dos fatos, para reunir provas do crime e identificar os agressores, os culpados pelo crime".

Provas

A advogada da vítima também critica o fato de o delegado não ter pedido a prisão preventiva dos suspeitos ouvidos pela política.
"Ele (o advogado) reitera que divulgar imagens como essas envolvendo menores é crime, chama os suspeitos para depor, eles confessam e daí eles são liberados? Não consigo entender. O vídeo não é prova o suficiente?"
Samy afirma ainda que o fato de a gravação mostrar que a garota está desacordada já é prova o suficiente de estupro. O delegado, no entanto, alegou que não ainda havia subsídios para pedir a prisão preventiva.
Para o procurador de Justiça Mario Sarrubbo, professor da Faculdade de Direito da Faap, de São Paulo, o vídeo que mostra a garota deitada e desacordada enquanto os rapazes tocam suas partes íntimas e debocham é um "indício forte" de que houve o estupro, e deve ser confrontado com outras provas.
"Eu teria pedido a preventiva. Temos um vídeo com confissão", diz ele. "Eles afirmam (em gíria própria) que houve estupro."
No vídeo, um dos rapazes diz: "Mais de 30 engravidou". Em uma foto divulgada também pelo Twitter é possível até ver o rosto de um deles, que posa para a câmera em frente à menina.
O Código Penal Brasileiro, em seu artigo 213 (alterado pela Lei 12.015/09), considera atos libidinosos não consentidos como crime de estupro.
"Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso", descreve a lei.
"Incorre na mesma pena quem pratica as ações descritas com alguém que por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência", acrescenta.
Enviar vídeos ou fotos de menores de idade é crime previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), com pena de três a seis anos de prisão.

'Nítido'

"É nítido no vídeo que ela não tinha condições de manifestar sua vontade ou não (de consentir o sexo). É claro que ela está dopada e/ou desacordada e, portanto, vulnerável. Isso por si só já está tipificado no Código Penal como violência sexual mediante fraude", avalia a advogada Ana Lucia Keunecke, diretora jurídica da ONG de defesa dos direitos das mulheres Artemis.
"Não havendo assim nenhuma necessidade de outras provas, já havendo indícios suficientes para o pedido de prisão preventiva dos suspeitos."
Segundo ela, é comum ver delegados fazendo com que a vítima prove que houve estupro.
"Não creio que o fato de não se ter pedido a prisão preventiva dos suspeitos seja despreparo da autoridade, é cultura do machismo, cultura do estupro", afirma Ana Lucia.

Trauma

A advogada da adolescente também diz ter ficado revoltada com o fato de o delegado ter marcado o depoimento dos suspeitos para o mesmo momento em que a adolescente estava na delegacia. "Exatamente no mesmo horário e local. Ela ficou ainda mais abalada."
Segundo Samy, a jovem está extremamente traumatizada. "Ela está começando a apresentar sintomas de síndrome de pânico. Não quer sair de casa. Está muito abalada."
A advogada diz que o Estado não ofereceu nenhum tipo de acompanhamento psicológico - ela mesma teria conseguido o apoio de um profissional para sua cliente.


Dossiê Mulher - As mulheres predominam como vítimas de delitos de estupro (83,2%)

A décima edição do Dossiê Mulher, elaborado pelo Instituto de Segurança Pública (ISP), mostra que grande parte dos delitos cometidos contra as mulheres ocorre no espaço doméstico ou no ambiente familiar. Desde 2005, ano da primeira edição do Dossiê Mulher, os dados demonstram que campanhas de esclarecimento e serviços especializados são de extrema importância para que as mulheres registrem as ocorrências das quais são vítimas.
Segundo os dados analisados no estudo, as mulheres predominam como vítimas de delitos de estupro, de ameaça e de lesão corporal dolosa, tendo, na maioria das vezes, como prováveis agressores seus companheiros ou pessoas do seu convívio familiar. Foram selecionados onze delitos para análise, baseados na gravidade dos crimes e ainda com referência aos tipos de violência abarcados pela Lei Maria da Penha. Os onze delitos foram separados em cinco seções para análise: violência sexual, violência física, violência psicológica, violência moral e violência patrimonial.
As vítimas do sexo feminino representam a maioria em oito dos onze títulos analisados: lesão corporal dolosa (64,0% dos registros são contra mulheres), estupro (83,2%), tentativa de estupro (91,3%), violação de domicílio (66,7%), supressão de documento (58,0%), calúnia/injúria/difamação (73,6%), ameaça (65,5%) e constrangimento ilegal (59,0%). E são minoria nos títulos: homicídio doloso (8,5%), tentativa de homicídio (12,3%) e dano (49,9%). O detalhamento de alguns desses delitos mostram um percentual significativo de mulheres que são vítimas de violência doméstica e/ou familiar: lesão corporal dolosa (60,5%), ameaça (56,5%), violação de domicílio (42,1%), supressão de documento (42,4%), calúnia/injúria/difamação (40,0%), dano (48,4%), tentativa de homicídio (35,5%), estupro (31,3%), constrangimento ilegal (31,3%), tentativa de estupro (26,3%) e homicídio doloso (12,4%).
O significativo número de registros indica que as mulheres estão mais informadas das variadas dimensões da violência a que estão expostas e que esta não se resume apenas às agressões físicas. Com o estudo, é possível ter um panorama mais amplo da violência contra a mulher, observada em suas cinco formas: física, sexual, patrimonial, moral e psicológica.O Instituto de Segurança Pública, com a divulgação da décima edição do Dossiê Mulher, espera, na medida de suas atribuições de ente público e comprometido com a transparência, contribuir para o aumento da visibilidade de um tipo de violência. Com isso, os dados e análises acumulados pelo relatório ao longo desses dez anos materializam nossa colaboração para a implantação e o aprimoramento de políticas públicas de enfrentamento à violência contra a mulher, bem como de ações estratégicas em prol dessa parcela da população.
Os dados do relatório são referentes aos registros da Polícia Civil durante o ano de 2014, e ainda dados relativos aos anos anteriores para análises comparativas. O Dossiê conta ainda com os dados georreferenciados da rede de atendimento e organismos de políticas públicas para mulheres em situação de violência no estado. Estes dados foram fornecidos pela Subsecretaria de Políticas para as Mulheres.
Destaques do relatório
Estupro
•  O ano de 2014 apresentou uma redução de 3,0% no número de vítimas de estupro em relação ao ano anterior. Das 5.676 vítimas desse crime, 83,2% eram do sexo feminino, totalizando 4.725 vítimas. Quanto ao perfil das vítimas, 45,5% possuem entre 0 e 13 anos de idade, ou seja, mais de um terço dos estupros no Estado podem ser classificados como “estupro de vulnerável; 42,1% das vítimas tinha relações próximas com seus agressores, sendo que em 33,1% dos casos, as relações eram de parentesco e 76,6% eram solteiras (possivelmente é um reflexo da maior concentração de crianças e jovens entre as vítimas). Segundo o entendimento da autoridade policial, 31,3% dos casos de estupro de mulheres foram classificados como violência doméstica ou familiar.
Os crimes de estupro no Dossiê Mulher foram tratados com a nova tipificação estabelecida pela Lei nº 12.015/09, de 07 de agosto de 2009. De acordo com a atual redação do artigo 213, a conduta delituosa até então definida como atentado violento ao pudor passou a fazer parte da definição de estupro. Com isso, observa-se que a nova tipificação de estupro não distingue o gênero da vítima, motivo pelo qual o homem também pode vir a ser vítima desse crime.
Homicídio Doloso
• As mulheres vítimas de homicídio doloso representaram, em 2014, 8,5% do total de vítimas desse tipo de crime no Estado (420 mulheres mortas). De acordo com os dados da polícia civil, 12,4% das mulheres vítimas de homicídio doloso morreram em situação de violência doméstica ou familiar. Das mulheres vítimas de homicídio doloso, 31,4% tinham entre 18 e 34 anos; em 19,0% dos casos, as mulheres não conheciam o autor do crime, mas em 9,8% os autores eram os companheiros ou ex-companheiros das vítimas e 31,2% eram solteiras.
Ameaça
•As ameaças contra mulheres registraram um aumento de 3,7% em 2014, quando comparamos com o ano anterior. Ou seja, foram 57.258 mulheres vítimas de ameaça. Quanto ao perfil das vítimas, 48,6% das mulheres foi ameaçada pelo companheiro ou ex-companheiro e 18,4% não tinham qualquer relação com o acusado; 55,0% de mulheres que sofreram ameaça tinham entre 25 e 44 anos e 50,5% se declararam solteiras.
Segundo a Lei nº 11.340/2006, a ameaça é entendida como uma das formas da violência psicológica. É uma conduta que tenta causar dano emocional e diminuição da autoestima, com prejuízo e perturbação do pleno desenvolvimento, ou que visa a degradar ou controlar ações, comportamentos, crenças e decisões de um indivíduo.
Lesão Corporal Dolosa
• O delito lesão corporal dolosa apresentou uma redução de 0,6% no total de vítimas mulheres em 2014, quando comparado com o ano de 2013. Em 2014, foram 56.031 mulheres vitimizadas. Do total de mulheres vítimas de lesão corporal dolosa, 60,5% foram vítimas de violência doméstica ou familiar; 51,7% das vítimas foram agredidas por companheiros ou ex-companheiros, 2,6% por pais ou padrastos e 17,1% não tinham qualquer relação com o acusado; 31,4% tinham entre 25 e 34 anos e 54,6% eram solteiras.